Doutor eu ví na internet

O médico era a principal fonte de informações em assuntos relacionados à saúde. O que o doutor falava era tido como verdade absoluta para seus clientes. Alguns, um pouco mais desconfiados, recorriam a outras fontes tais como enciclopédias de saúde, revistas e almanaques. Ainda não era moda a consulta de outro profissional para uma “segunda opinião”.

Hoje as coisas mudaram. E como mudaram. Com a relação médico/paciente fragilizada pela medicina tecnológica e impessoal que se pratica atualmente, o paciente, que muitas vezes nem sabe o nome do médico, não confia em mais ninguém e recorre a vários profissionais numa interminável peregrinação por vários consultórios em busca de respostas para suas angústias e soluções para seus problemas.

A rede mundial de computadores colocou um complicador a mais nesta delicada questão. O acesso à internet, antes restrito às pessoas com maior poder aquisitivo, vem se democratizando progressivamente e hoje está disponível nas residências de todas as classes sociais, empresas, bibliotecas, escolas, cyber-cafés, lan-hauses e outros locais públicos.

Com a internet qualquer pessoa pode facilmente acessar milhares de informações sobre qualquer assunto. E em se tratando de medicina, tudo, mas tudo mesmo, está ao alcance de qualquer um em questão de segundos. É aí que mora o perigo. Porque ao lado de informações realmente úteis, a maior parte do que se publica na internet é informação inútil, equivocada ou propaganda disfarçada. Fica difícil para o leigo separar o joio do trigo.

O médico deve estar preparado para lidar com mais este problema. É bom que o paciente tenha o máximo de informação sobre sua enfermidade. Uma pessoa bem informada aceita melhor a medicação e os procedimentos, muitas vezes desconfortáveis e dolorosos, que o caso requer. Hoje é cada vez mais difundido o conceito de decisão compartilhada. O médico explica tudo ao paciente, ou aos responsáveis em se tratando de menores e incapazes, diagnóstico, prognóstico, opções de tratamento e, juntos, decidem sobre a conduta a seguir. O doente abandona a passividade e assume a co-autoria na condução do processo terapêutico.

O médico deve procurar informar-se continuamente para atender às demandas dos clientes. Ele deve estar sempre um passo à frente. Já não basta apenas a leitura de alguns livros e revistas médicas e freqüentar congressos e jornadas. É necessário também dominar a internet, conhecer seus mecanismos de busca, saber encontrar a informação correta e, acima de tudo, saber analisar criticamente as informações encontradas.  Deste modo, o excesso de informação deixa de ser um problema e transforma-se em uma poderosa aliada do médico na tarefa de bem cuidar da saúde do ser humano.


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